Transformação Digital

Entender e priorizar pessoas é a chave para negócios inovadores

Em um cenário volátil, incerto, complexo e ambíguo como o atual, empreendedores precisam colocar o ser humano no centro da experiência de negócio para se manterem no mercado

Wlademir Freitas e Marcos Oliveira criaram um app de entrega de orgânicosNatal – As mudanças na sociedade advindas com o avanço da tecnologia influenciam diretamente a forma de vender e fazer negócios. Habilidades e competências, que antes serviam de regra para empreendedores, estão sendo revistas ou substituídas. Isso porque perfil do consumidor mudou. Cada vez mais, a clientela da maioria dos negócios está conectada, é mais imediatista e consciente para questões socioambientais. Estima-se que cerca de 30% dos consumidores de Natal são ou estão sob influência dos millennials, a geração que já nasceu com internet, e que tem padrões comportamentais distintos das gerações anteriores. O empreendedor que deseja se manter no mercado precisa entender esse público e criar soluções inovadoras.

E isso passa essencialmente pela adoção de ferramentas tecnológicas e pelo entendimento das necessidades desse novo consumidor. “As empresas terão que rever e aprimorar sua operação, desde os seus processos e equipes até o uso de tecnologias, no intuito de aperfeiçoar a jornada de compra, melhorando a experiência do cliente, resolvendo os problemas dele de maneira cada vez mais rápida e fluida possível”, defende o gerente da Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae no Rio Grande do Norte, David Gois.

Como o mercado vive em constante mudança devido à tecnologia, que não cresce mais de forma linear, mas de forma exponencial, surge um cenário que os pensadores classificam como volátil, incerto, complexo e ambíguo. Nesse cenário, os empreendedores têm mais oportunidades de gerar valor com rapidez, mas também têm desafios, principalmente o jeito como se relacionam com pessoas.

David Góis: empreendedores terão de  aperfeiçoar a jornada de compraO empreendedor precisa se tornar especialista em comportamento humano e entender o que se passa com as pessoas para elas desejarem produtos e serviços, tanto em termos sociais quanto de desejos. E nunca oferta menos do que elas desejam. “É um processo irreversível para aquelas empresas que querem permanecer no mercado. As empresas que não evoluírem neste processo de atendimento a este consumidor imediatista, informado e com acesso a vários canais de fornecimento, tendem a desaparecer”, alerta David Gois.

Para Andrea Iori, que é responsável pelo Tinder no Brasil e palestrante que ensina a ter sucesso no meio da transformação digital, os novos gestores e empreendedores que esperam ser bem sucedidos necessitam de altruísmo digital. Segundo ele, altruísmo digital é repriorizar o ser humano para o centro da experiência de negócio, principalmente em tempos de ameaça das máquinas, com a automação, robotização e inteligência artificial. Projeções indicam que 40% dos empregos até 2030 serão ocupados por esse tipo de tecnologia.

“Hoje, vivemos o modelo human to human (h2h). Busque formas de ajudar as pessoas. Existe uma enorme quantidade de lacunas deixadas por líderes de mercado e que ainda precisam ser preenchidas. Pensamento crítico é identificar essas lacunas e preenchê-las com soluções de alto valor agregado”, explica Andrea Iori.

Orgânicos em casa

Facilitar a vida das pessoas foi o que motivou Wlademir Freitas e Marcos Oliveira a desenvolver uma plataforma para otimizar o escoamento da produção de hortifrútis orgânicos e fazê-los chegar de forma prática à casa dos consumidores. A dupla criou os aplicativos iFarm e Feirinha Orgânica, cuja lógica é fazer a produção do campo chegar ao cliente com melhor preço e, ao mesmo tempo, obter uma maior remuneração para os produtores ao eliminar atravessadores. O primeiro funciona para gerenciar a parte logística e cadastro dos agricultores. Já o Feirinha Orgânica é mais voltado para os consumidores mesmo.

A ideia surgiu há mais de um ano e ilustra muito bem essa tendência de o empreendedor focar em pessoas e nas lacunas que existem no mercado. Os dois sócios perceberam que havia dificuldade de os natalenses encontrarem itens orgânicos fora de feirinhas especializadas. E decidiram pela ferramenta. O cliente faz os pedidos pelo app no dia anterior – dependendo do estoque é possível solicitar no dia - e os produtos são entregues em casa, com comodidade e praticidade. O aplicativo tem 60 itens, 30 deles sazonais devido à entressafra, entre folhas, leguminosas e frutas, que saem 15% mais em conta que se comprados em quitandas e supermercados.

App Feirinha Orgânica foi criado para aproximar produtores e consumidores desses alimentosInovar é transitar entre os desejos humanos (desejabilidade), viabilidade tecnológica e capacidade de gerar negócio de forma sustentável, resolvendo os problemas das pessoas. E foi isso que os empresários colocaram em prática. “Identificamos que 70% do público que compra produtos orgânicos são mulheres com filhos, que tem pouco tempo disponível. Por isso, resolvemos entregar os produtos higienizados em embalagens diferenciadas, praticamente prontos para ir à geladeira”, revela Wlademir Freitas sobre estar foco no consumidor.  

O app tem 450 clientes cadastrados e três produtores que fornecem regularmente, além dos dois sócios. A vantagem é que a produção é feita sob demanda, eliminando desperdícios na colheita de alimentos, e 60% do valor da venda dos gêneros alimentícios ficam com os produtores. Foram investidos recursos na instalação de um entreposto, que funciona no Green Mall em Candelária, e mais R$ 200 mil apenas na parte de tecnologia. “Queremos ganhar escala e implantar a ferramentas em outras cidades que são carentes da oferta desses produtos”.

Para diminuir custos, a dupla planeja implantar o sistema de entregas com bicicletas elétricas e uma comunidade que sustenta a agricultura como estratégia para fidelizar a clientela. Trata-se de um grupo de pessoas que se comprometem em fazer aquisição semanalmente dos produtos e com isso ganham 20% de desconto. “Estamos mais interessados no marketing de relacionamento. Queremos que as pessoas conheçam a nossa proposta e os nossos produtos. A meta é estar próximo dos nossos clientes e saber do que eles precisam”.

Soluções 4.0

Diferente dos sócios produtores, muitos empreendedores ainda não se deram conta de que os consumidores estão evoluindo no mesmo ritmo das transformações tecnológicas ou simplesmente não sabem como acompanhar ou adequar o negócio a essa nova geração de clientes. Para eles, o Sebrae criou o projeto Transformação Digital, que disponibiliza para empresas tradicionais ferramentas e capacitações voltadas para adoção da tecnologia para fazer negócios e para aquelas que já estão inseridas nesse cenário a alcançar novos mercados, tudo isso baseando-se em dois pilares: relacionamento e negócios inovadores.

Marcos Barros busca transformar petshop digitalmenteDentro do projeto, há uma solução de capacitação, o Negócios 4.0. “É uma solução é focada no aumento de performance e resultados dos pequenos negócios e tem como objetivo introduzir as empresas na nova dinâmica dos negócios: o universo 4.0, que mescla tendências da internet com as do cotidiano presencial, a fim de melhorar a experiência de compra e o relacionamento com o novo cliente da Era Digital”, explica David Góis. Através de um diagnóstico de transformação digital da Cesar School e conteúdos práticos e personalizados, o Negócios 4.0 vem para promover a mudança de cultura e a transformação digital do negócio de dentro para fora e ampliar os resultados. As capacitações nesse módulo começaram nesta semana.

Tem também o Radar Sebrae de Oportunidades, uma das ações que materializam a transformação digital do Sebrae para o empresário. A ferramenta entrega informações relevantes, resolvendo uma dor do empreendedor, que pode acessar a qualquer hora e quantas vezes forem necessárias. São informações como potencialidades de novos negócios, saturação de mercado, taxa de mortalidade de empresas e perfil de clientes e concorrentes. A ferramenta fica disponível online no portal do Sebrae.

São soluções como essas que o educador físico e empresário Marcos Barros precisava para ampliar a presença digital do petshop All Pet. Ele está sendo atendido pelo projeto Transformação Digital. “Tentamos levar de forma transparente a experiência do petshop à casa das pessoas usando a internet. Queremos conscientizar e também prestar o serviço de animais perdidos e achados”, diz o empresário, que busca na instituição suporte, além do marketing, também na área de finanças

Ele investiu mais de R$ 100 mil na estruturação do espaço, que está mais focado na parte de estética animal do que na venda de ração. Há cinco meses em funcionamento, All Pet atende a 250 animais com serviços de banho, tosa e atendimento veterinário e venda de ração e acessório para animais. “Nossa ideia foi montar o petshop associado a uma loja para crianças, e não a um supermercado. Queremos criar um estilo diferenciado de atendimento e pós-venda. Em breve, teremos um espaço de creche e petday”.

Serviço:
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