Crédito

Especialista aponta os caminhos para se obter um empréstimo bancário

O consultor de finanças e economista Hudson Garcia elenca os cinco ‘C’ do crédito, pontos que empreendedores precisam atentar antes da análise de crédito de instituições financeiras

Consultor Hudson Garcia, especialista em finançasNatal – Entre os erros que empresários cometem ao solicitar financiamentos junto à instituições de crédito, a falta de organização e de controle financeiro da empresa figura entre os principais. Não à toa, mais de 75% dos donos de pequenos negócios no Rio Grande do Norte que tentaram obter um novo empréstimo, durante a fase crítica da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), não tiveram sucesso, mesmo com toda a oferta de crédito disponibilizada pelo governo federal no período. Muitos empreendedores ainda não estão preparados para atender ao rigoroso processo de avaliação imposto por bancos e instituições financeiras oficiais, que levam em contam uma série de fatores na análise antes de liberar os recursos.

“É importante a gente ter em mente que o banco é uma instituição financeira secular e que essa avaliação de crédito para pequenas empresas não mudou, mesmo em período de pandemia. O empresário tem de ter ciência disso quando ele vai buscar crédito. Não é o fato de existir o convite, nem a pandemia, que vai amolecer o coração do banco. As regras não mudaram”. A avaliação é do consultor e economista do Mato Grosso do Sul, Hudson Garcia, que é especializado em Administração e Finanças.

Hudson Garcia será o instrutor do ciclo de palestras "Sebrae na Prática – Descomplicando o Crédito", promovido pelo Sebrae no Rio Grande do Norte durante o mês de outubro. Serão quatro palestras online, sendo uma por semana, às quintas-feiras, sempre às 19h. As inscrições podem ser feitas pelo site http://bit.ly/sebrae-na-pratica-credito . Os inscritos neste ciclo de palestras terão um up grade nos seus conhecimento, pois não precisarão fazer um novo desembolso para se inscrever na palesta do professor gaúcho e consultor financeiro, Gustavo Cerbasi, que ocorrerá no dia 27 de outubro, às 19h, via online. A taxa de inscrição para quem não tiver inscrito no ciclo é de R$ 30,00.

Hudson Garcia explica que não há outro caminho para ter acesso aos recursos, senão atender as regras dos cinco ‘C’, que compõem a base de qualquer operação de financeira.  O primeiro ‘C’ está relacionado ao caráter, que é o histórico de crédito, a relação com fornecedores, a organização propriamente dita da empresa.  “Para buscar crédito, a empresa tem de estar organizada, desde a relação com fornecedores até mesmo com a própria instituição financeira. Empresas que atrasam pagamentos ou que estão em sistemas, como SPC e Serasa, dificilmente vão conseguir esse financiamento”, alerta.

O consultor explica que o tomador do empréstimo terá que comprovar que tem uma empresa organizada e alinhada com os seus compromissos, seja com fornecedores ou mesmo com os agentes financeiros.  “Eu sei que vão me avaliar pelo caráter, que é o meu histórico. Se eu tiver uma empresa redonda, organizada, tiver uma relação boa com fornecedores, mesmo que chegue a atrasar, mas eu consigo efetuar pagamento sem gerar nenhuma restrição, isso já é um ponto positivo no momento que de buscar crédito”, exemplifica.  

Real necessidade

Hudson Garcia alerta para que o empreendedor reflita se realmente é essencial essa busca por crédito.  E isso está nas abordagens do segundo ‘C’, que está ligado às condições, à situação financeira da empresa e saber, afinal de contas, para que finalidade está sendo solicitado o empréstimo (?). “Não é pelo simples fato de existir o convite para o crédito, que empresas precisam utilizar isso como um grande diferencial. Não é bem assim”, ensina.  O recurso só deve ser buscado quando há uma necessidade real e ao mesmo tempo é fundamental apresentar para o banco que a empresa tem capacidade de quitar o novo empréstimo. “Por isso, o controle financeiro da empresa é primordial no momento de pensar em buscar crédito”, preconiza.

E essa reflexão leva ao terceiro C, que traduz a capacidade para assumir um novo endividamento. Segundo o consultor, é preciso levar em conta todo o endividamento atual e o perfil dessa dívida que será assumida, ponderando sobre os reflexos no fluxo de caixa da empresa e o vencimento das obrigações que já foram contratadas. Isso vai indicar se e a empresa tem ou não capacidade de assumir este novo financiamento.

O quarto C faz referência ao caixa. E nesse aspecto é uma avaliação de mercado. Se o dinheiro entrar, independente de ser para investimento ou capital de giro, precisa dar uma perspectiva futura de geração de mais caixa, já que toda dívida deve ser paga com lucratividade. Uma dica importante, segundo o especialisra em finanças, é avaliar o demonstrativo financeiro. "Se houver sobra, vale assumir um novo financiamento", condiciona.

O quinto e último C é o que se chama de efeito colateral: a contrapartida que se deixa como garantia, sejam bens ou recebíveis, para se obter o empréstimo a juros mais em conta. Essas garantias deixam o dinheiro mais barato.  É o caso do fundo do Nordeste, dos recursos do BNDES e de outras linhas disponíveis, como o Fampe. “São esses os cuidados que qualquer empreendedor tem que ter em mente, no momento que ele vai buscar o crédito, tendo em vista que é isso o que o analista da instituição financeira acaba avaliando”, conclui Hudson Garcia.