Frutas de clima subtropical se adaptam à região do semiárido

Durante Simpósio em Mossoró, especialistas demonstram a viabilidade do cultivo de frutas de clima temperado, como maçã e pera, também no semiárido potiguar como forma de diversificar o plantio.

RN tem potencial para cultivo de uvas e outras frutas de clima subtropicalMossoró - A introdução de culturas tradicionais de regiões mais frias do país está se tornando cada vez mais frequentes na fruticultura do semiárido. No Rio Grande do Norte, o que antes surgiu como alternativa à diversificação de produtos e convivência com a seca, consolida-se como novo e rentável nicho de mercado para pequenos produtores que investem no setor. A exemplo da uva, já cultivada nas regiões da Chapada do Apodi e Mato Grande, com resultados expressivos de qualidade e produtividade, a intenção é introduzir outras culturas, como a maçã e a pera. Esses novos cultivos começarão já a partir do próximo ano, em fase experimental, com dois produtores na região de Apodi e Mossoró.

É que resultados de pesquisas apresentadas em minicursos do I Simpósio Potiguar de Fruticultura Potiguar, iniciado nesta quarta-feira, 22, e realizado pelo Sebrae no Rio Grande do Norte, em Mossoró, apontam a viabilidade técnica e econômica desses e outros novos cultivos. “Estudos já foram desenvolvidos em regiões semelhantes e mostram bons resultados. Isso gera perspectivas positivas para a introdução dessas culturas, e vamos iniciar projetos junto a fruticultores de algumas regiões do estado como aposta para o setor”, explica o gestor do Projeto Crescer no Campo – Fruticultura Potiguar, Franco Marinho.

Para Paulo Roberto Coelho, boas condições de solo e de temperatura são imprescindíveis à introdução das novas variedadesDe acordo com o pesquisador da Embrapa Semiárido Paulo Roberto Coelho Lopes, que realiza pesquisa sobre o tema em Petrolina-PE, boas condições de solo e de temperatura são imprescindíveis à introdução das novas variedades, que possuem elevado potencial econômico. Isso porque, especificamente em relação a pera, pelo menos 95% da fruta consumida no Brasil é importada.

“O mercado interno é muito carente, depende do produto que vem de fora. Isso torna, especialmente a pera, muito viável economicamente. Com o plantio que faremos em 2018, vamos verificar a produtividade e qualidade da fruta. Bons resultados já foram apresentados em regiões semelhantes, e isso é bem positivo”, explica o pesquisador.
O I Simpósio da Fruticultura Potiguar é realizado no campus Mossoró da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), parceira do evento com a Prefeitura de Mossoró. O simpósio mobiliza toda a cadeia produtiva da fruticultura e segue até sexta-feira (24).

Da água para o vinho

A uva é um caso de sucesso da exploração, no Rio Grande do Norte, de culturas antes restritas a regiões mais frias. As condições climáticas do Estado, antes consideradas desfavoráveis ao cultivo do fruto, agora aparecem como grande diferencial. Aliado à orientação e assistência técnica desenvolvidas pelo Sebrae no Rio Grande do Norte, experiências exitosas de produtores do Vale do Apodi já inspiram outras regiões e, em Martins, no Alto Oeste Potiguar, a uva será cultivada para fabricação de vinhos.

Fruticultores participam de oficinas dentro da programação do simpósio“Será o primeiro projeto desta natureza. Através do programa SebraeTec, realizamos as consultorias e, em breve, teremos vinhos produzidos na região de Martins. A boa qualidade das uvas produzidas na região são indícios de que teremos um excelente produto”, frisa Django Jesus, professor e consultor do Sebrae.

Além de apresentar novas alternativas, o I Simpósio Potiguar de Fruticultura alerta para o potencial de culturas tradicionais do semiárido, como cajá/cajarana. Embora abundante no sertão, o fruto precisa ser explorado numa abordagem mais comercial, como defende o pesquisador Francisco Xavier de Souza, da Embrapa Agroindústria Tropical – Fortaleza (CE), que ministrou oficina no evento, na manhã desta quarta-feira (22).

“O cajá, cajarana ou umbu-cajá, como são conhecidas o frutos do gênero Spondias, estão presentes em quintais, espalhadas em propriedades rurais, mas precisam ser vista como um agronegócio. Para isso, necessitam de financiamento para aperfeiçoar pesquisa, a fim de melhorar a produtividade em grande escala. Porque existe um grande potencial para atender à agroindústria”, observa.

A ideia é ampliar experiências bem sucedidas, como a do produtor Jailton Oliveira, 32, morador da comunidade Panon, zona rural de Assú, que participou da oficina em busca de novos conhecimentos. “Estou muito animado com o cultivo do cajá e chego a vender de 3.500 a 4.000 quilos por mês, para indústria de polpa de fruta”, revela, comprovando a viabilidade comercial do cultivo.

Serviço:
www.rn.agenciasebrae.com.br
http://www.rn.sebrae.com.br
http://www.facebook.com/SebraeRN
http://www.twitter.com/SebraeRN
Call Center: 0800 570 0800
Agência Sebrae de Notícias (ASN RN): (84) 3616-7911