Agricultura

Plataformas digitais reduzem riscos com intempéries no campo rural

Com os avanços da tecnologia no campo, as atividades agrícolas estão sendo monitoradas através de plataformas digitais que disponibilizam dados e informações com alta precisão.

Hoffmann destaca a importância da tecnologia para a fruticulturaParnamirim – O uso de tecnologias digitais no campo está transformando a face da agricultura brasileira e pode ser a salvação da lavoura para os produtores rurais, independente do porte das suas propriedades. Apesar da grande diversidade de solos e das condições climáticas das regiões do país, com o apoio de plataformas digitais é possível obter uma melhor previsão do tempo, fazer o monitoramento dos processos produtivos, o rastreamento de mercadorias comercializadas e despachadas, trazendo melhoria significativa de produtividade e rentabilidade.

Questões relacionadas aos sistemas de monitoramento, controle inteligente e rastreabilidade foram amplamente debatidas num seminário técnico denominado Fruticultura 4.0 que reuniu nesta quinta-feira (17) produtores de várias partes do estado e especialistas no assunto na Festa do Boi, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. O espaço Sebrae Terroir conta com uma vasta programação de oficinas gastronômicas, seminários técnicos, fazenda digital e exposição de produtos terroir potiguares. O evento prossegue até este sábado (19), no horário das 14h às 22h. As atividades para o público são gratuitas e a inscrição pode ser feita no local.

O engenheiro agrônomo, Marcus Vinícius Hoffmann, fez uma abordagem sobre “Agricultura 4.0 e os impactos na cadeia da fruticultura” e destacou que atualmente existe um mercado interno está cada vez mais exigente em relação a cultivos mais limpos e também com maior rastreabilidade, além de uma produção muito voltada para o setor da exportação. “Diante disso, o que se observa é que a agricultura digital está voltada para o conhecimento desta rastreabilidade e busca fazer uma certificação mais assertiva. A partir daí vai beneficiar toda a cadeia, desde a produção até a exportação desses produtos e a transição no mercado internacional”, avalia.

Consultor da empresa Agrosmart, uma startup de Campinas-SP, Vinícius Hoffmann lembra que a tecnologia digital é acessível a todos, uma vez que todo mundo dispõe de um smartphone, tem internet em casa ou mesmo um endereço de email. Na opinião dele, os produtores que não tiverem a tecnologia, ficarão muito distantes da inovação para atingir o nível de competitividade, produtividade e excelência que vão necessitar para se diferenciar num futuro próximo.

Tecnologia mais acessível

Para atender a um consumidor cada vez mais exigente, toda a cadeia da fruticultura deve ser digitalizada para garantir uma maior eficiência da produção e ter uma produção mais limpa, com maior sustentabilidade nos aspectos econômico, social e financeiro. Hoffmann explica que para não ficar de fora desse sistema, o pequeno produtor pode trabalhar através de associações e cooperativas com um conjunto de ferramentas que são totalmente acessíveis. A partir da união da cadeia de produção, o agricultor consegue trabalhar com dados com alta precisão e a partir disso, garantir uma eficiência produtiva que há alguns anos estaria disponível somente para grandes produtores.

“Atualmente a gente consegue atingir produtores de diversos portes, porque estamos atuando nas plataformas, inclusive na Agrosmart. O que tem se observado é que esse pequeno produtor está se digitalizando e evoluindo junto com os grandes produtores. “A aquisição de toda essa a tecnologia geralmente se inicia pelos maiores produtores, que adquirem a maturidade do mercado e, posteriormente, os menores têm acesso”, lembra.

Com as multinacionais adquirindo startups, que crescem continuamente no mercado, a tecnologia começa a ficar mais acessível ao pequeno produtor, que começa a ser beneficiado pelos avanços conquistados pelos grandes. “Atualmente não existe mais distinção de tecnologias para pequeno ou grande produtor. Todos têm acesso e podem ser beneficiados de tecnologias que estão produzindo dados em tempo real e está trazendo uma melhoria na eficiência da produção”, avisa.

O clima atmosférico atinge a todos, sem distinção. Num país de dimensões continentais, a aquisição do tipo de tecnologia é bastante regionalizada, geralmente com base no tipo de cultivo que se tem em cada região. Assim como pelo tipo de clima, solo e porte do produtor. “O produtor do sul, por exemplo, tem maiores problemas de clima, devido a chuva ser muito mais volátil. Ele precisa de plataformas de previsão do tempo. Já no caso do produtor Nordeste, onde há chuvas mais delimitadas durante o ano, há um risco muito grande dessas chuvas atrasarem ou chegarem um pouco mais cedo”, compara Hoffmann .

Após trabalhar por um determinado período na Bahia, o engenheiro agrônomo observou que o oeste daquele estado é uma região muito digitalizada, assim como o Rio Grande do Norte, que tem exportadores de melão e outras frutas, que também são muito adeptos à tecnologias. “Independente da tecnologia que o produtor vai consumir, ele precisa estar receptivo às empresas de tecnologia para inovar no caminho que ele pretende seguir no mercado”, conclui o consultor da Agrosmart.