Aquicultura

Produtores expandem produção de peixe panga e conquistam o mercado

O peixe panga, de origem vietnamita, já é bem consumido pelos brasileiros e o cultivo em viveiros começa a expandir a produção no Rio Grande do Norte, que já o segundo maior produtor do país.

Parnamirim –  O Rio Grande do Norte é o primeiro estado brasileiro que começa a se diferenciar em qualidade do peixe panga, de origem vietnamita. Isso porque os produtores organizados em uma cooperativa estão investindo no cultivo da espécie em viveiros e conquistando uma considerável melhora nutricional. O desenvolvimento de uma ração específica, por uma indústria paraibana, está permitindo reduzir a gordura visceral e minimizar a coloração amarelada do filé, que tinha um aspecto pouco atrativo aos olhos dos consumidores. Aos poucos a indústria de beneficiamento está se consolidando com a reativação de frigoríficos.

Os processos de produção do peixe panga (Pangasius) no seu país de origem, o Vietnã, foi um dos temas abordados  no Seminário Técnico de Aquacultura pelo biólogo marinho, Renato Pinheiro Gouveia, que reuniu nesta sexta-feira (18) aquicultores na Festa do Boi, no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. O espaço Sebrae Terroir conta com uma vasta programação de oficinas gastronômicas, seminários técnicos, fazenda digital e exposição de produtos terroir potiguares. O evento prossegue até este sábado (19), no horário das 14h às 22h. As atividades para o público são gratuitas e a inscrição pode ser feita no local. Renato Pinheiro: RN tem potencial para ampliar a produção do panga

Especialista em piscicultura, Renato Pinheiro, explica que o Rio Grande do Norte tem um clima propício ao cultivo do panga o ano inteiro, além uma área extensa para essa criação, inclusive viveiros de camarão de água doce, que estão desativados devido à doença da mancha branca no crustáceo, os quais podem ser direcionados ao cultivo do panga. Exemplo disso é um produtor do município de Pendências, que substituiu o cultivo de camarão pelo panga e atualmente é o maior produtor da espécie.

O Nordeste brasileiro tem clima, água e espaço territorial suficiente para a produção do panga. E apesar de ser um produto relativamente novo, porque ainda não tem nem sete anos de cultivo, a espécie apresenta enorme potencial para o cultivo e comercialização.

Em relação à pouca aceitação do peixe pelo consumidor brasileiro, Renato Pinheiro lembra que tilápia enfrentou num passado recente uma certa resistência e conseguiu atingir um nível de satisfação para o consumidor, que faz do peixe um dos mais apreciados na atualidade. “Estamos melhorando os cortes, como o filé prime que a COOARN está fazendo, garantindo que o peixe seja bem aceito no mercado”, exemplifica Renato.

O Brasil importou em 2017 nada menos do que 45 mil toneladas de filé do peixe vietnamita, o que comprova que o País é um grande consumidor do panga. “E já chegamos a importar 67 mil toneladas do filé”, conta Renato. Ele lembra que o panga é um peixe destinado à indústria, diferente do peixe comercializado em feiras. É um peixe que tem um potencial de cultivo grande, de densidades altas.

Consultor de Vendas da Aquavita, empresa do grupo paraibano Guaraves, Renato Pinheiro lembra que estão se consolidando algumas parcerias com Cooperativa dos Aquicultores do Rio Grande do Norte (COOARN)  e o Frigorífico Costa Azul,  que podem fortalecer a produção do panga.

A Aquavita está há 12 anos no mercado e produz rações aqua, tendo formulado recentemente uma ração específica para o peixe panga, buscando reduzir a gordura visceral e a cor do filé, que tinha um aspecto muito amarelado, que não estava sendo muito bem aceito pelo mercado. “Em dois meses conseguimos fazer um clareamento em torno de 80% em relação ao tom amarelado de antes”, comemora, lembrando que algumas distribuidoras que estavam rejeitando esse peixe por ser bastante amarelo, já confirmaram a melhora e a perspectiva de comprar o produto, substituindo o vietnamita que consumiam anteriormente.

Produção crescente

Curso de filetagem do peixe panga realizado pelo Senar-RNO diretor administrativo da Cooperativa dos Aquicultores do Rio Grande do Norte (COOARN), Emerson Caldas, é um dos maiores entusiastas da produção do panga no estado. Fundada há pouco mais de um ano e com cerca de 20 cooperados, a cooperativa tem firmada uma grande parceria com o Frigorífico Costa Azul, que funciona com a licença estadual do Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária – Idiarn.

No início de 2018 o Rio Grande do Norte tornou-se o segundo estado brasileiro a ter autorização para realizar o cultivo da espécie panga, em viveiros, conforme a legislação estadual.  Atualmente são produzidas 60 toneladas por mês e mais de 50% das unidades de produção estão no agreste potiguar. No RN a média de peixes por metro quadrado está em torno de cinco panga. Em cada hectare são produzidas aproximadamente 60 toneladas de peixe, num ciclo em torno de sete meses.  

Segundo Emerson Caldas, a ração representa em torno de 75% do custo de produção. Atualmente a ração fornecida aos produtores é proveniente da empresa paraibana Aquavita, do grupo Guaraves, que é parceiro do projeto de expansão do panga no mercado norte-rio-grandense. Os produtores querem atrair uma fábrica de ração para o estado. “O panga tem uma proteína de ótima qualidade a um custo mais barato. O rendimento da carcaça é melhor em relação à tilápia”, relata Emerson, informando que no mesmo período do ciclo de produção o panga atinge 1,2 kg e a tilápia chega a 700 gramas.

O Vietnã, no sudeste asiático, é o maior produtor mundial da espécie e comercializa para outros 154 países, inclusive o Brasil, que é um dos grandes consumidores do panga.