Agricultura Familiar

Sebrae e CPFL levam inclusão produtiva a pequenos produtores de Touros

Como parte do Programa AgroNordeste do RN, o projeto de Produção Sustentável na Agricultura Familiar capacitou produtores de seis comunidades rurais do município potiguar. As consultorias também ampliaram a inserção dos itens cultivados no mercado local.

Natal – Olhar o horizonte e ver poucas perspectivas, além do sol forte que castiga a pele e da poeira da terra seca, rodopiando no ar. Esse é um quadro desolador e bastante comum entre agricultores do Nordeste brasileiro. Porém, em comunidades do município de Touros, distante 80 quilômetros de Natal, capital do Rio Grande do Norte, o cenário mudou com capacitação, inclusão produtiva e acesso ao mercado consumidor. Mesmo em meio à pandemia, pequenos produtores rurais foram capacitados e estimulados a gerar mais renda com a inserção dos produtos e na economia da região.

Isso só foi possível devido à parceria do Sebrae no Rio Grande do Norte com a CPFL Renováveis, através do projeto de Produção Sustentável na Agricultura, dentro do Programa AgroNordeste do RN. As ações foram desenvolvidas ao longo de um ano nas comunidades rurais de Baixa do Quimquim, Vila Mayne, Vila Assis Chateaubriand, Geral e Souza, Vila Israel e Boqueirão.

Os recursos investidos pela eólica foram uma importante e decisiva contrapartida para o desenvolvimento do trabalho. Ao Sebrae coube oferecer consultoria para agricultores familiares, da área no entorno dos parques eólicos da companhia, e instrutoria de cursos, oficinas e palestras. O intuito foi o de fortalecer e ampliar a atuação dos grupos produtivos que atuam no cultivo de tubérculos (batata doce e mandioca) e frutas (banana, abacaxi, mamão, cajá e coco), além da produção de mel da abelha africanizada.

Consultorias no campo

Até este mês, quando o projeto foi concluído, foram realizadas consultorias técnicas para produção e manejo, gestão da propriedade e acesso ao mercado e comercialização. Ao todo foram realizadas mais de 2 mil horas de capacitação, ultrapassando a carga horária prevista, que era de 1.248 horas. Além disso, os agricultores participaram de seis turmas do curso ‘Juntos Somos Fortes Agronegócios no Campo’ e de turmas das oficinas ‘Empreender no Campo’, ‘Custos Para Produzir no Campo’, ‘Negociar no Campo’, cada uma, além de palestras sobre como vender para o governo.

A ideia do projeto é abrir canais de escoamento da produção através de compras públicas. E por isso, foram promovidas consultorias para Prospecção e Análise de Custos de Adequações em Estruturas Produtivas Potenciais existentes nas seis comunidades e também de orientação em elaboração de projetos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para tornar esses produtores fornecedores dos governos locais. No total, foram 236 pessoas capacitadas ao longo do projeto, que elaborou ainda um diagnóstico situacional das seis comunidades.

De acordo com o analista da Unidade de Desenvolvimento Rural do Sebrae-RN, Elton Alves, que foi um dos coordenadores das ações, ao lado do também analista técnico da área, Marcelo Medeiros, o objetivo do projeto foi contribuir com o crescimento e desenvolvimento de produtores, em situação de vulnerabilidade ante às pragas que assolam a região, como nematoide e outros destruidores das culturas, o que inviabilizava a venda integral ou parcial dos produtos devido à baixa qualidade, sobretudo na situação de pandemia.

Segundo Elton Alves, "a proposta era organizá-los de forma a restaurar a credibilidade e confiança, prestar orientação e informações sobre acesso à mercado, elaboração de projetos, possibilidade de créditos, levantamento de oportunidade de comercialização em vários setores, elaboração de projetos para acesso ao mercado institucional, de unir grupos, quiçá, comunidades para realizarem suas vendas direto aos consumidores e compradores, sem a presença da figura do atravessador".

“O projeto com a CPFL teve bastante êxito considerando os resultados expressivos, apesar dos desafios impostos pela pandemia. Conseguimos que os produtores tivessem crescimento em relação a faturamento, à melhoria das técnicas de produção e à comercialização. O papel do Sebrae e o investimento aplicado pela eólica fizeram a diferença na vida dessas pessoas”, avalia Elton Alves.

Jovens Empreendedores

A parceria também promoveu, no início deste mês, uma capacitação voltada para 36 diretores das escolas públicas do município e outros 50 participantes, acompanhando virtualmente, para a adoção da metodologia Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP). A solução educacional JEEP foi criada para proporcionar o debate, o estudo e a prática do empreendedorismo durante os primeiros nove anos da educação básica.

A expectativa é que 36 escolas e 6.200 alunos da educação infantil sejam impactadas em Touros. O curso Jovens Empreendedores Primeiros Passos é voltado para estudantes de 6 a 14 anos. Além de desenvolverem o comportamento empreendedor, as crianças e adolescentes aprendem a planejar e organizar uma ação empreendedora, por meio de um plano de negócios, já que o JEPP aborda temas transversais ao longo dos nove anos de curso: cultura da cooperação, cultura da inovação, ecossustentabilidade, ética e cidadania.