Educação Empreendedora

Viviane Mosé aponta desafios da educação com o mundo digital

A psicanalista e professora Viviane Mosé acredita que o desafio da escola em tempos de internet não é mais transmitir conhecimento, mas tornar pessoas mais sensíveis e capazes de se relacionar.

Viviane Mosé: os filhos que reclamam que as mães não largam o celular. Filho quer presença, não presentes.Natal – O número de crianças e adolescentes com idade entre 10 anos e 14 anos que se suicida tem aumentado assustadoramente no Brasil. Muitos dos jovens nessa faixa etária estão deprimidos e medicados, em alguns casos com remédios que contêm anfetaminas. Isso já deveria ter acendido um sinal de alerta porque é um indicativo de que há algo muito errado na sociedade. Para a professora e psicanalista Viviane Mosé, isso está relacionado à falta de valorização da vida, convívio e troca física que a virtualização das relações tem provocado.

“Se temos uma sociedade com pessoas angustiadas a esse nível, se a criança não quer viver, é porque a sociedade faliu. Quando as pessoas têm convívio, elas se fortalecem, valorizam a vida”, reflete a psicanalista, chamando a atenção de pais e principalmente de educadores. Viviane Mosé veio a Natal abordar o tema ‘Os Desafios do Mundo Contemporâneo’ na palestra principal da 5ª edição do Fórum de Educação Empreendedora, promovido pelo Sebrae no Rio Grande do Norte. O evento foi realizado na noite da quinta-feira (29) e reuniu no hotel Holiday Inn cerca de 300 participantes, a maioria ligada à área da educação.

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É comum a ideia que a educação seria a solução para os problemas do mundo ou então que os males da nossa sociedade são frutos da falta de um ensino adequado. Acontece que a instituição máxima do ensino, a escola, é parte desse mesmo mundo. Ela é também um Palco Onde se passa grande parte das nossas angústias sociais. “Apesar de a gente olhar para educação e pensar sempre na educação como solução, ela não é solução. Ao olharmos para qualquer desafio social, a gente costuma dizer: quem soluciona isso é a educação. Isso é incorreto, pelo menos não a educação escolar. Ela não pode dar conta dos desafios do mundo porque ela é o mundo".

Na avaliação de Viviane Mosé, que participa às segundas-feiras do programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, o mundo tem assistido às transformações que a internet trouxe - algumas positivas, mas outras com aspectos bem negativos. “O mundo real já não tem tanta importância. O mundo que era material, físico, virou virtual. O mundo que tem valor é o que a gente inventa”, critica, referindo-se à internet, principalmente às redes sociais, que são capazes de criar cenas e cenários que não existem de verdade, como a manipulação de imagens com o Photoshop.

Para Viviane Mosé, a escola precisa parar de dar tanta ênfase a disciplinas, que fornecem dados e informações disponíveis facilmente nas buscas do Google, e se voltar mais para a formação humana dos alunos. “A nossa educação tem que preparar os alunos para os desafios do mundo virtual, que é cheio de perigos, como a deepweb, onde existem atividades ilícitas, como redes de pedofilia e tráfico de drogas. Nossos alunos já têm condições de entrar num lugar desses”.  

Novo modelo

Viviane Mosé foi a principal palestrante do 5º Fórum de Educação Empreendedora, promovido pelo SebraeNa visão da psicanalista, que tem 35 anos de docência, muitos adolescentes, por exemplo, têm a iniciação sexual pela internet, o que pode expô-los. E é necessário prepara-los para esse novo cenário e a lidar com as frustrações que ele traz. “As crianças e jovens estão se formando na internet. A única coisa a fazer é torna-los pessoas capazes de pensar sozinhas”.

Ela acredita que a mudança do modelo de gestão piramidal para o modelo em rede trouxe mudanças significativas para a sociedade. Isso permite fenômenos como os youtubers e que um adolescente sem formação em medicina consiga conceber um chip para detectar um sítio cancerígeno antes mesmo de ele surgir. “O mundo mudou, o professor também precisa mudar. Nunca mais professor, ou nenhum de nós, tem de ter vergonha de não saber”. E entre as mudanças, está a família em que os líderes estão cada vez mais preocupados com ganhar dinheiro para dar uma boa educação e, inversamente, cada vez mais sem tempo para os filhos.

“Antes, as mães se queixavam que os filhos passavam horas navegando ou jogando na internet. Hoje, são os filhos que reclamam que as mães não largam o celular. Filho quer presença, não presentes”.

É transferido para a escola o papel da família. “Escola não é um lugar de milagres. A escola não pode dar formação moral e ética. Precisamos enquanto sociedade reconstruir os laços para continuarmos. A coisa mais fundamental que a escola precisa é aprender a lidar com angústia e frustração, não conhecimento”. Para Viviane Mosé, os professores devem criar vínculos e tentar entender o que se passa com os seus alunos para que possam fazer laços afetivos e capazes de entender que todas as pessoas são importantes. “A escola tem o desafio de dar conta da forma humana , de formar pessoas sensíveis e capazes de se relacionar”.

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